quinta-feira, 14 de maio de 2015

Somos feitos de céluas ou sonhos?


Hoje recebi a HQ 3º Mundo. E como eu estava querendo ver o resultado dessa HQ, acompanho o trabalho da Marginal Comics há algum tempo e sei que eles ralaram muito para colocar essa revista na rua, mas a espera valeu a pena.
Muitas vezes leio coisas que me remetem à momentos que havia esquecido, essa revista me fez voltar alguns anos no tempo, em uma época de fogueiras na rua em dias de frio, e conversas que pareciam ser resultado de altas doses de drogas alucinógenas. A história gira em torno de três jovens (Nelson, Luna e Raoni) que estão em uma jornada, buscando algo que vai mudar suas vidas, junto deles está um personagem muito importante, a cidade, é ela que gera os maiores conflitos nos protagonistas e faz que eles vejam as coisas de outra forma. Essa visão da cidade como um ser vivo foi o que mais chamou minha atenção.
 Quando usamos o termo terceiro mundo nos transportamos para um lugar esquecido de todos, um lugar onde a pobreza é o destaque. Nós vivemos no terceiro mundo, um terceiro mundo que finge ser primeiro, e isso reflete nas cidades, elas são um microcosmo da realidade do país.Com suas periferias esquecidas, e lembradas apenas em período eleitoral, com seus barracos queimados "acidentalmente", com os números de mortos que crescem a cada dia que passa(e que nem sempre são contados). A HQ também trata de escolhas, de consumo, autoconhecimento, descoberta e de como nos preocupamos com coisas que no final das contas não são tão importantes assim. Ela nos faz lembrar que éramos os reis de nossas ruas quando estávamos com nossos amigos, que nesses momentos nossos problemas em casa, mesmo que por um instante, sumiam. 

Como morador da periferia me senti representado pela revista, vi várias situações e questionamentos que vivi em minha adolescência, coisas que essa nova geração (não tem como escrever isso e não se sentir velho) tem que se perguntar.


 Os desenhos são de uma qualidade impressionante o artista Robert Yo tem uma influência forte no mangá, em alguns momentos o traço me lembra Samurai Champloo, (me corrijam se eu estiver errado). Essa influência é muito boa, principalmente nos momentos engraçados da HQ. A narrativa gráfica é algo que também merece destaque, a forma que o texto e a imagem dialogam é muito boa, a harmonia entre Robert Yo e o roteirista Ibu Junior é fundamental para o bom funcionamento de tudo que é apresentado ali.
 A HQ tem 40 páginas coloridas com um papel de boa qualidade, ela custa 10,00 R$ (mais 3,00 R$ de frete). Vocês sabem que somos apoiadores do trabalho independente, principalmente se é voltado para quadrinhos e cultura nerd, e essa revista é mais uma prova de que nem sempre o que é bom é o que a "grande mídia" joga em nossas caras.

Autor: Ibu Junior
Arte: Robert Yo
Editora: Marginal Comics

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